Blog Post Background

Nilza Matável conversa sobre o ramo de energias renováveis em moçambique

renewable energy in mozambique

Nilza Matável conversa sobre o ramo de energias renováveis em moçambique

Nilza Matável conversa sobre o ramo de energias renováveis em moçambique

Global Edge Consultants entrevista Personalidade do Mês: Nilza Matavel, sobre o seu papel e contributos como mulher Moçambicana e profissional no sector, com especialidade no ramo de Energias Renováveis.

Nesta entrevista a Global Edge Consultants na rubrica mensal “Personality of the month” que tem como objetivo principal enaltecer profissionais e especialistas das diversas indústrias no mundo. Nilza Matavel deixa ficar o seu parecer sobre a indústria de energias renováveis em Moçambique que atualmente é de grande destaque no país. Como mulher, especialista e profissional numa indústria ainda predominantemente masculina mas com um futuro próspero em ser mais diversificado. Confira abaixo a entrevista completa:

GEC: Sendo mulher, ativa no sector de energias renováveis em Moçambique, que análise faz do papel e contribuições das mulheres em indústrias como a sua e que palavras de empoderamento deixaria para outras mulheres que sonham/desejam construir carreiras neste sector?

NM: Eu acredito que, tal como acontece nos diversos sectores produtivos, a mulher possui um papel relevante em toda a cadeia de valores do sector das energias renováveis. Em Moçambique, em especial onde a biomassa[1] representa mais de 50% da matriz energética nacional (consumo e produção), as mulheres por si só desempenham simultaneamente o papel de fornecedores (através da produção de fogões melhorados[2], ou na recolha de biomassa) e consumidores desta energia final, sendo, deste modo, um actor chave para qualquer tipo de intervenção neste sector (energia de biomassa). Analisando a cadeia de valores das outras fontes de energia existentes no país, ainda mesmo que existindo o estereótipo associado à ocupação de cargos técnicos ou de liderança por mulheres, tenho vindo a notar que com o passar dos anos vamos tendo cada vez mais mulheres a ocuparem estes cargos e a executarem suas as actividades de forma eficiente, isto tanto em instituições públicas como privadas.

Eu sou de opinião de que as mulheres possuem papel chave para este processo de transição energética que o país atravessa, e como motivação para outras mulheres tenho a dizer que: somos gigantes quando estamos juntas a lutar pela mesma causa! Venham para cá, temos muito por construi e jamais duvidem do vosso potencial.

 

GEC: Que impacto ou mudanças acredita que este sector de clean energy trará para o povo Moçambicano? E quais são as dificuldades que se enfrenta na implementação de energias renováveis em zonas remotas?

NM: Antes de mais, é importante clarificar que a matriz energética do país, tanto de produção como de consumo, é maioritariamente renovável, dita “clean energy”, sendo que, as principais fontes renováveis são a biomassa e os recursos hídricos. Actualmente, Moçambique passa por um processo de transição energética. Essa transição é mais no sentido de diversificação das fontes de produção de energia, onde as fontes renováveis, como a solar e eólica, começam a ganhar mais espaço.

Então, respondendo agora sobre os impactos ou mudanças que essa diversificação da matriz/aproveitamento de novas fontes de energias irá trazer para o povo de Moçambique, eu acredito que de uma forma geral teremos um impulso para que haja crescimento económico e melhoria da qualidade de vida da população. De facto, as mudanças na vida da população, já vêm acontecendo um pouco por todo o País, como resultado das iniciativas/programas implementados, principalmente em áreas onde não há cobertura da rede nacional.

O uso da tecnologia solar (Sistemas Pico Solares, Sistemas Solares, Sistemas Solares de Aquecimento de Água, Sistemas Solares de Bombeamento de Água Caseiros etc) está massivamente presente em vários distritos do país, com e sem cobertura da rede eléctrica nacional.

Nas áreas sem cobertura da rede eléctrica nacional, a população passará a ter acesso à energia que é um direito fundamental para desenvolvimento humano. Sendo que, o acesso à energia possibilitará que cada Moçambicano possa usufruir de todos os benefícios associados ao uso da electricidade, nomeadamente iluminação de qualidade, funcionamento eficaz de serviços básicos e essenciais como de postos de saúde/hospitais, abastecimento de água e escolas, impulsionamento do comércio e negócios locais ( exemplo alfaiatarias, barbeiros, moageiras, pequenos frigoríficos para conservação de pescado, irrigação para agricultura etc) .

Ou seja, a energia renovável tem a vantagem de fazer chegar energia aos locais de difícil acesso e onde a rede eléctrica nacional ainda não chegou. Vou dar-vos o exemplo duas iniciativas “pequenas”, mas com impacto significativo na vida dos seus beneficiários. A primeira é a Girafa Solar,[3] da fundação Carlos Morgado e implementada na localidade de Mangunze, não sei se já ouviram falar. A Girafa Solar é basicamente uma estrutura para criar um espaço comunitário para carregar celulares e ouvir rádio em áreas rurais. Funciona à base de energia solar fotovoltaica e oferece 10 tomadas de carregamento de telemóveis e rádio. E a segunda é o Tablet Comunitário movel da KAMELON Eventos Tecnológicos,[4] que utiliza kits solares para educação nas comunidades rurais de Moçambique. Vocês conseguem imaginar a mudança na vida dos beneficiários destas duas iniciativas?

 

GEC: De facto a energia renovável tem muitas vantagens sendo a mais importante a de trazer a localidades remotas onde não há acesso a rede eléctrica nacional, energia renovável para o uso e melhorar a vida dos cidadãos.

Sim, das iniciativas acima mencionadas pela Nilza, conhecemos a Girafa solar e fizemos no mês passado, uma matéria sobre este incrível projecto implementado no distrito de Manguze. Esperamos poder escrever e apoiar muito mais projectos do género que virem a surgirem e a ser implementados no pais nos próximos meses, esperamos também, poder contribuir de alguma forma a consciencialização dos cidadãos e fazer- los conhecer estes projectos e como eles podem também apoiar de modo a que todos aqueles que precisam possam se beneficiar.

NM: De uma forma geral, sou de opinião que Moçambique tem vindo a fazer grandes avanços em relação ao acesso às energias, graças às energias renováveis. Entretanto, o país é grande, a população tem vindo a crescer, as dificuldades e limitações para o acesso a energia são enormes, e o sector, apesar de já contar com iniciativas, investimentos e actores com experiência de trabalho, possui ainda constrangimentos que, se não forem devidamente tratados, irão inibir o desenvolvimento e expansão do sector.

Respondendo sobre as dificuldades enfrentadas na implementação de projectos de energias renováveis em zonas rurais, eu acredito que uma das maiores dificuldades são o acesso e a logística. Logicamente que adicionalmente a isso existem também as dificuldades para desenvolvimento do sector de renováveis em si (tanto para áreas rurais como urbanas), com destaque para a falta de 1) Quadro Legal e regulatório favorável 2) regulamentação fiscal adequada; 3) necessidade de capacitação, tanto do sector público como privado nacional; e 4) acesso a fontes de financiamento que vão de encontro à realidade do sector privado nacional.

 

GEC: Se a Nilza tivesse o poder/capacidade para fazer algo diferente na indústria de energias renováveis, solucionar problemas que o país atualmente enfrenta (Economia, saúde, sociedade ou política), o que implementava e porquê? Na mesma linha de pensamento, se já tivesse implementado o tal feito, como este influenciaria a vida dos Moçambicanos?

Eu acredito que de uma forma geral tanto eu como todas as pessoas que contribuem de alguma forma para a concepção, desenvolvimento e implementação de iniciativas na área de energias renováveis em Moçambique, temos vindo a desenvolver projectos diferentes (logicamente cada uma dentro das suas especificidades) que respondem às necessidades que o país enfrenta actualmente.

De momento trabalho para uma empresa de consultoria chamada Greenlight Africa,[5] onde tenho tido a oportunidade de interagir e colaborar com diferentes stakeholders nacionais (MIREME[6], ARENE[7], FUNAE[8], EDM[9], AMER[10] MWE[11]) e internacionais, e deste modo participar no desenvolvimento de projectos que irão trazer benefícios para o desenvolvimento do país. Posso dar o exemplo do programa no qual tenho estado a trabalhar desde que me juntei à Greenlight, o Programa Promoção de Leilões de Energias Renováveis (PROLER),[12] que é relevante e inovador para sector energético moçambicano pois, visa desenvolver um processo licitação para projectos de energias renováveis conectadas à rede eléctrica nacional (solar e eólica), e desta maneira atrair o investimento privado para o sector das energia renovável. O Proler contribuirá para diversificação da matriz energética nacional e incremento da segurança do fornecimento de energia.

É com elevada estima e honra que encerramos a entrevista endereçando o nosso muito obrigado a Nilza Matavel por se ter disposto a participar desta rubrica (mesmo com tendo uma agenda corrida) e por ter respondido a todas as questões colocadas por nós com carinho, cuidado e diversão, facilitado a leitura e compressão para todos os leitores e curiosos.

renewable energy in mozambique

Comments

Join Our Team

Join the Global Edge Consultants Team

join now